CONCEITO

C3

C2

C2

Na sociedade comtemporânea, e muito particularmente na cultura ocidental, amor e sexo tendem a ser conceitos que se pretende andem sempre interligados. Mas nem sempre foi assim. Do mesmo modo que não faltam exemplos de quem defenda hipocritamente tal “obrigatoriedade”, mas esteja (muito) longe de a praticar.

O facto é que, para muitos, amar-se e ter-se uma relação estável com alguém não é impeditivo de sentir desejo por outra pessoa e assumi-lo, mesmo que esse desejo seja (e, na esmagadora maioria, tenda a ser) somente sexual. Convirá recordar que, na sua origem, o ser humano até era polígamo, e que a monogamia actualmente prevalecente deriva de uma imposição – raramente questionada – por parte de um modelo de sociedade assente, ou fortemente influenciado, pela moral judaico-cristã, e que com o passar dos tempos se tornou norma.

Ainda que não seja fácil definir qual a verdadeira origem do swing, nem sequer a da forma como hoje ele é mais praticado e conhecido, o que é inquestionável é que a prática de sexo em grupo sempre existiu na sociedade. Hoje, os swingers não são, na sua essência, polígamos, ou seja: não se apaixonam necessariamente por outras pessoas.

O swing acaba, assim, por ser a prática do sexo social, por norma entre casais, mas podendo assumir variantes definidas consoante as fantasias e os gostos de cada um. O mais comum é, numa fase preliminar, o casal que pretende enriquecer e ampliar a sua vida sexual começar por procurar um homem ou uma mulher que se lhe junte, para assim formarem um “trio” – prática que alguns consideram como swing, mas que não passa de um “ménage à trois”. Do mesmo modo, existem também aqueles que, numa relação swinger, não passam dos perliminares e da troca de carícias, acabando cada qual por ficar com o seu parceiro habitual na altura da penetração.

Independentemente das definições que se lhes queira apensar, inequívoco é que todas as variantes do swing deverão ser aceites por aqueles que pretendam assumir-se como swingers e liberais, por mais não serem do que resultado das fantasias que cada casal pretenda realizar. E essas, conquanto respeitem sempre a liberdade individual de todos os envolvidos, têm toda a legitimidade.

Mais interessante será o facto de conceitos com grande peso na sociedade actual pouco ou nada se aplicarem aos casais swingers. Aquilo que muitos fazem às escondidas, e por norma é considerado traição, passa a ser, não só permitido, como até incentivado e acordado pelo próprio casal. Seguindo a mesma ordem de ideias, infidelidade é coisa que também não existe entre membros de um casal swinger, pois o consentimento mútuo para que exista envolvimento sexual com outras pessoas impede que se instale a tantas vezes perniciosa perda ou quebra de confiança entre si.

Mas não se pense que não existem riscos na prática do swing – isto quando a decisão de o fazer não é suficientemente ponderada e maturada, ou o casal não está completa e perfeitamente sintonizado relativamente aos seus objectivos numa relação swinger. Por isso, convém não esquecer que, por exemplo, ver o próprio parceiro com outra pessoa é algo com que pode não ser fácil lidar quando não cumpridos os pressupostos mencionados; da mesma forma que é imperioso interiorizar que o swing não é algo que sirva para salvar casamentos fragilizados, antes tende a complicar ainda mais, quando não a destruir por completo, relações menos fortes que se tentam recuperar por esta via.

Certo é que vários são os motivos que podem levar um casal a decidir-se pela prática do swing, sendo um dos mais invocados, inevitavelmente, o ser esta uma boa forma de contrariar a monotonia que se tende a instalar numa vida vivida apenas a dois. Mas que não pode constituir regra. Veja-se os casais que se iniciam no swing enquanto ainda namorados; e os que, sendo casados há muitos anos, são swingers desde o início do seu relacionamento.

Do que não restam dúvidas é que o swing é, essencialmente, sexo social. Entendendo-se por isso uma actividade social baseada na actividade sexual, devidamente consentida e praticada entre adultos conscientes e responsáveis. E não havendo, também aqui, limitação ou imposição de género, o facto é que a maioria dos casos ocorre com casais heterossexuais.